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Tigela
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Documento
Anexos
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Metadados
Miniatura
Número do item
20.4.3
Tripticos
Categoria
Nome do item
Tigela
Nome do item de acordo com o dicionário
Coletor
Modo de aquisição
Data de aquisição
13/11/2019
Ano de aquisição do objeto
Data de confecção do item
novembro de 2019
Autoria
Ana Brasão
Nome étnico do item
"mapoapi" (formato da peça)
Descrição
Tigela de cerâmica, produzida com barro amarelo através da técnica do acordelado. Apresenta borda direta, contorno simples e fundo plano, apresenta vitrificação com resina de vegetal não identificado
Dimensões
18,5cm de diâmetro boca; 9cm de diâmetro base; 13cm de altura
Função
Utensílio para o preparo e armazenamento de alimentos
Matéria-prima
Mineral > Antiplástico | Mineral > Argila amarela | Vegetal > Resina de vegetal não identificado
Técnica de confecção
Descritor comum
Baniua | Baniva | Cumbuca | Curipaco | Equipamento doméstico | Equipamento para preparo de alimentos | Equipamento para serviço de alimentos | Utensílio de cozinha | Vasilha
Número de peças
01
Responsável pela guarda
Instituição detentora
Povo
Autoidentificação
Língua
Estado de origem
Localização geográfica específica
Comunidade Indígena Santa Isabel/Ayari, TI Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira.
Pais de origem
Referência bibliográfica
Bitencourt, Francineia Fontes. A mulher no pensamento e na prática Wakoenai: estudo inter-geracional entre as comunidades e a cidade São Gabriel da Cachoeira. Em processo de defesa.
MOTTA, Dilza Fonseca da; OLIVEIRA, L. Tesauro de Cultura Material dos Indios do Brasil. Rio de Janeiro, Funai/Museu do Índio, 2006.
MUSEU DO ÍNDIO. Boletim do Museu do Índio Nº 8/1998.
RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
Disponibilidade do objeto
Qualificação
Vasilha para fazer xibé; matéria-prima: "dekai" (argila)
Argila, em Baniwa: dekai/ Nheengatu: tawatinga
A argila dekai tem coloração alaranjada. A vasilha é utilizada para servir comida e para molhar o xibé (suco de açaí, bacaba, patauá ou água com farinha ).
O antiplástico é produzido com argila (dekai) e casca de árvore (káwa: caraipé). As mulheres pegam aturás (cestos) e caminham até a caatinga/terra firme com os homens, locais onde existe essa árvore. Os homens derrubam essa árvore com uma técnica, batendo no tronco, e as cascas vão se soltando. Então, as mulheres coletam e jogam nos cestos (aturás). Transportam até a aldeia e queimam longe das frutíferas para que a fumaça não derrube as frutas. As cascas são organizadas em forma de montanha/pirâmide para queima que não desmonta a montanha. Pega as cinza e coloca no pilão e depois peneira. Faz o mesmo processo até ficar só o pó peneirado. Após a queima as mulheres saem em busca da argila que pode ser encontrada nos portos ou nas cabeceiras de igarapés que estão localizados no meio da mata (aproximadamente 1h de caminhada) para coleta destas com a ajuda da família da ceramista. Transporta a argila coletada até a comunidade, e na manhã seguinte usa peneira e bacia para tirar qualquer pedra, areia, folha, galho e restar só a argila fina. Mistura a argila fina e o pó de caraipé na bacia aos pouquinhos e deixa descansar até o dia seguinte para modelar. 1) Modelar as peças pela técnica do acordelado. 2) Passa argila branca (cali) nas peças. Se a peça ficar mole deixa ao sol para endurecer um pouco e melhorar a consistência. 3) Depois de moldelar as peças, é feito o polimento com caroço de inajá, pedaço de cuia, dufhe (pedra lisa), thafi (caroço de corouai), para ficar liso e brilhante. 4) Pintura: o pincel usado para pintar os objetos é confeccionado com pequeno tufo de cabelo e argila. A tinta utilizada pra pintar é produzida com argila amarela (Ba: éwa), manicuera (sumo da mandioca) ou suco de limão ou água. O líquido é escolhido pelas mãos de cada ceramista. São feitos vários desenhos. A éwa é encontrada somente na cabeceira do rio Waraná, faz uma encomenda com as mulheres Hohodeni que moram nesse território. 5) Faz um moquém, girau de madeira, fogo de leve, para pegar nas peças e ficar resistente. Enquanto isso as mulheres cavam um buraco de aproximadamente 1m (depende da quantidade de peças) e outras estão tirando lenha. Faz camadas: fogo, lenha, peças, lenha e fogo. Termina quando só resta cinza da lenha, em torno de 1h, e as peças são retiradas com uma vara de madeira comprida (4m). Quando a cerâmica é branca deve ser retirada com vara de ferro. 6) Transporta para a casa de forno, onde é feita a farinha. Prepara um fogão de barro e coloca carvão, coloca a peça deitada no carvão quente. 7) Usa folhas de cubíu (kopirophé - ver foto) ou urucum (pilimapá) ou walamaphe (planta utilizada pelos pajé chamada de doença flechas do vento) ou itiri itíphidzo (suiú itá rawa - planta rabos de animais), folha de buiuiu (frutinhas silvestres, sugestão: colocar link para ver foto) massera e passa nas cerâmicas. 8) Coloca muitas pequenas sementes mapitako (nariz de minhoca) em água quente, massera e faz uma massa que endurece em formato placa lisa. Pega o prato quente e usa uma folha para pegar essa placa para envernizar a peça.
Observação sobre o item
Os objetos desta coleção foram adquiridos no âmbito do projeto Prodocult Baniwa, subprojeto “Vida e Arte das Mulheres Baniwa, uma visão de dentro para fora”, coordenado pela pesquisadora Francineia Bitencourt Fontes e desenvolvido na Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas


