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Cesto bolsiforme
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Metadados
Número do item
269
Categoria
Nome do item
Cesto bolsiforme
Nome do item de acordo com o dicionário
Modo de aquisição
Data de aquisição
27/12/1949
Ano de aquisição do objeto
Data de confecção do item
1949
Nome étnico do item
"txfone"
Descrição
Cesto bolsiforme de conformação cilíndrica, confeccionado com seda do olho da palmeira ouricuri (Syagrus coronata) segundo a técnica do trançado sarjado. Apresenta superfície decorada, com motivos geometrizantes nas cores azul, verde e rosa em corante sintético, formados a partir da colocação das fibras tingidas sobre o trançado e alça do mesmo material
Dimensões
32,5 cm de comprimento(base); 18,0 cm de altura(s/alça); 39,0 cm de altura (c/alça)
Função
Objeto destinado ao transporte de objetos pessoais e a comercialização
Matéria-prima
Sintético > Corante industrializado | Vegetal > Fio de ouricuri | Vegetal > Palha de ouricuri
Técnica de confecção
Descritor temático
Descritor comum
Carnijó | Fulni-ô | Fulniô | Karijó de Águas Belas | Karnijó | Karnijó de Águas Belas | Yatê
Número de peças
1
Responsável pela guarda
Instituição detentora
Povo
Autoidentificação
Língua
Estado de origem
Localização geográfica específica
TI Fulni-ô - Águas Belas
Pais de origem
Referência bibliográfica
MONTEIRO, Maria Elizabeth Brêa; BRASIL, Maria Irene. Listagem dos nomes dos Povos indígenas no Brasil. Ministério da Justiça, Fundação Nacional do Índio, 1998.
MOTTA, Dilza Fonseca da; OLIVEIRA, L. Tesauro de Cultura Material dos Indios do Brasil. Rio de Janeiro, Funai/Museu do Índio, 2006.
MUSEU DO ÍNDIO. Boletim do Museu do Índio Nº 8/1998.
RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
RICARDO, Carlos Alberto et al. (Ed.). Povos indígenas no Brasil: 1996/2000. Instituto Socioambiental, 2000.
Disponibilidade do objeto
Qualificação
Durante os dias 02 e 03 de dezembro de 2025, foi realizada uma oficina de qualificação com a participação de Fulni-ô Awassury Araújo de Sá, Adelcina Marques de Souza, Jailson Correia Daca, Janiel de Matos, Cecília de Sá Severo e Hilda de Sá Lúcio, que colaboraram na análise, atualização e contextualização deste objeto.
Esse cesto é feito a partir da costura de tranças de cerca de três centímetros de largura, produzidas com fibras da palmeira ouricuri. As tranças são costuradas com um fio feito da própria palha e, ao final do processo, fibras tingidas com anilina são trançadas sobre a bolsa para criar detalhes em relevo. Para sua confecção, foi utilizado o olho da palmeira, parte interna jovem, com maior qualidade e tonalidade mais clara e amarelada. Trata-se de uma prática tradicional hoje evitada, pois a retirada do olho compromete o crescimento do ouricuri, que exige cerca de quarenta anos para atingir maturidade e permitir manejo sustentável. A dificuldade de acesso ao ouricuri é cada vez maior, sobretudo devido ao desmatamento, ao avanço da cidade de Águas Belas e à presença de propriedades privadas nas áreas onde a palmeira cresce, o que coloca em risco a continuidade dessas técnicas tradicionais.
Essa situação atual está diretamente ligada à história do território Fulni-ô. Ao longo dos séculos, o Estado ora reconheceu ora retirou as terras do povo. Primeiro doou áreas ao aldeamento por meio de cartas régias e demarcações oficiais, mas depois, declarou o aldeamento extinto, dividiu o território, permitiu arrendamentos e acabou legitimando invasões de não indígenas. Esse vai-e-vem jurídico reduziu o espaço tradicional dos Fulni-ô e dificultou o acesso aos recursos naturais de que dependem, como o ouricuri. Muitas vezes a palha só pode ser coletada em locais privados, o que expõe o povo a riscos e violência, limitando o uso de materiais essenciais para sua cultura.
A palha de ouricuri é elemento fundamental na cosmologia e ritualidade Fulni-ô, integrando a principal cerimônia sagrada do povo, cujo nome é homônimo à palmeira. Trata-se de um ritual de caráter sigiloso, vedado a pessoas externas à comunidade. O ritual desempenhou papel decisivo na preservação do yaathê, língua do tronco Macro-Jê, sendo a única língua indígena do Nordeste a resistir de maneira contínua e ininterrupta ao processo colonizatório e às políticas linguísticas impostas pelo Estado, especialmente as determinações pombalinas que proibiram o uso das línguas indígenas no território colonial.
História administrativa
Este objeto foi coletado pela Seção de Estudos do Serviço de Proteção aos Índios.