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Tigela
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Documento
Anexos
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2440-v-1
Metadados
Miniatura
Número do item
2440
Categoria
Nome do item
Tigela
Nome do item de acordo com o dicionário
Coletor
Modo de aquisição
Data de aquisição
15/06/1950
Ano de aquisição do objeto
Data de confecção do item
1950
Descrição
Tigela de borda reta e base plana. Apresenta decoração externa marcado com corda formando motivos geometrizantes e internamente, os mesmos motivos pintados
Dimensões
21,0 cm de diâmetro da borda; 8,0 cm de altura
Função
Objeto utilizado para o preparo e serviço de alimentos
Técnica de confecção
Número de peças
1
Responsável pela guarda
Instituição detentora
Povo
Autoidentificação
Língua
Estado de origem
Pais de origem
Referência bibliográfica
MONTEIRO, Maria Elizabeth Brêa; BRASIL, Maria Irene. Listagem dos nomes dos Povos indígenas no Brasil. Ministério da Justiça, Fundação Nacional do Índio, 1998.
MOTTA, Dilza Fonseca da; OLIVEIRA, L. Tesauro de Cultura Material dos Indios do Brasil. Rio de Janeiro, Funai/Museu do Índio, 2006.
MUSEU DO ÍNDIO. Boletim do Museu do Índio Nº 8/1998.
RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
RIBEIRO, Darcy. A arte dos índios Kadiwéu. Rev. Cultura, s.l. : Min. da Ed. e Saude, s.n., p. 147-90, s.d.
RIBEIRO, Darcy. Religião e mitologia Kadiwéu. Rio de Janeiro: SPI, 1950.
RICARDO, Carlos Alberto et al. (Ed.). Povos indígenas no Brasil: 1996/2000. Instituto Socioambiental, 2000.
Disponibilidade do objeto
Qualificação
Os processos envolvidos na fabricação de cerâmica Kadiweu foram descritos durante oficina de qualificação de acervos realizada entre os dias 4 e 7 de julho de 2023 no Museu do Índio, com a participação representantes do povo Kadiwéu da aldeia Alves de Barros (MS). Participaram da oficina a liderança Benilda Kadiwéu, a ceramista Creuza Vergílio, e os anciãos Júlia Lange e Arindo Soares. O processo de fabricação de cerâmica inicia com a coleta da argila nas barreiras ou brejos, nas cabeceiras dos rios. As peças de cerâmicas quebradas são reutilizadas em pó, peneiradas, para preparo de novas peças. Quando a ceramista está menstruada, o barro não fica bom e a peça pode rachar ou ser difícil de comercializar, prejudicando o processo de fabricação como um todo. A fabricação da cerâmica é um processo de dedicação exclusiva e após iniciado não pode ser interrompido. É um processo que exige foco. Os homens podem ajudar na coleta do barro, porém a modelagem é um processo exclusivamente feminino. A modelagem é feita por acordelado e o alisamento é feito com uma colher. Após a modelagem são feitas as marcações dos desenhos com cordão de caraguatá ("na₲acoli"). A secagem dura em média três dias e depois é realizado o segundo alisamento, agora com semente de jatobá ("wama lolagi”). A queima é feita no chão, em um buraco, ao redor do fogo. A lenha preferencial para queima é da casca de angico ("nitagigo"), para não escurecer as peças. O angico não é tão disponível hoje por causa de queimadas no território. O cordão de caraguatá tem um processo longo para manufatura, que envolve deixar de molho na água; assim, durante a estação sêca fica mais difícil para produzir o cordão. Após a queima é realizada a pintura: primeiro, com resina de palo santo ("elegigo litiga"), encontrada no Pantanal, nas proximidades do rio Paraguai. Ela é coletada e produzida em local distante do território Kadiweu, sendo o transporte de custo muito elevado para coleta deste material. Na aldeia Barro Preto foi iniciado um projeto de reflorestamento para trazer a espécie do palo santo para próximo da área indígena (projeto da UFMS junto ao PrevFogo). Outro problema que incide sobre a disponibilidade desta matéria-prima é a exploração comercial do incenso de palo santo, que diminui a disponibilidade da resina para fabricação de cerâmica. Para produção da resina de palo santo, as lascas são colocadas em uma panela grande para ferver com água. A fervura faz subir uma gordura, que forma uma massa e vai sendo retirada, com a água fervendo. A massa é imediatamente resfriada nas mãos, com água fria, para endurecer. Quando a pessoa está doente ou tem alguém olhando, a resina não fica boa. É um processo que deve ser feito individualmente. A resina é aplicada manualmente na peça de cerâmica com o dedo, com a peça ainda quente depois da queima. O pigmento branco é aplicado depois da resina e feito com cal, que tem na beira dos córregos. A aplicação ocorre com talos de madeira. Todos os outros tons de pigmentos naturais (nas cores verde, amarelo, rosa, marrom, bege) são argilas, coletadas no pé de morros e dissolvidas em água, para aplicação manual. A argila na cor verde passou a ser utilizada mais recentemente, há cerca de vinte anos atrás. Existem pigmentos naturais que ficam brilhantes, nos tons dourado e rosa. A aplicação de pigmentos coloridos é geralmente utilizada nas peças produzidas para comercialização, principal foco da produção cerâmica atual. Antigamente, as peças para uso doméstico não tinham aplicação de pigmentos. Os grafismos das peças são de livre inspiração. Apesar do estilo Kadiweu, coletivo, é possível identificar os estilos individuais, as marcas de cada ceramista nos desenhos. Os grafismos são como uma forma de escrita do povo Kadiweu. Antigamente, os objetos de cerâmica eram presentes muito valorizados para trocas internas ao grupo Kadiweu. O prato para servir alimentos líquidos “₲apenaga” é um utensílio de cerâmica utilizado na festa da menina-moça.
Observação sobre o item
Estes objetos foram coletados pelo antropólogo Darcy Ribeiro, quando funcionário do Serviço de Proteção aos Índios - SPI em expedição as aldeias PI Presidente Alves de Barros e Lalima, localizadas no Estado do Mato Grosso do Sul nos períodos de novembro a dezembro de 1947 e junho a outubro de 1948. Como fruto dessa expedição o coletor publicou dois livros, intitulados : "Arte dos Índios Kadiuéu" e "Religião e mitologia Kadiuéu", que mais tarde foram reunidos e publicados no livro intitulado "Kadiwéu-ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza", dos quais incluem iconografias de parte desta coleção


