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Prato
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Documento
Anexos
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Metadados
Miniatura
Número do item
20.4.17
Tripticos
Categoria
Nome do item
Prato
Nome do item de acordo com o dicionário
Coletor
Modo de aquisição
Data de aquisição
13/01/2019
Ano de aquisição do objeto
Data de confecção do item
novembro de 2019
Autoria
Carolina Campos
Nome étnico do item
"parato"
Descrição
Prato raso de cerâmica de coloração acinzentada e superfície lisa, confeccionado segundo a técnica do acordelado. Possui motivos decorativos geometrizantes característicos do povo (raios no fundo e ziguezague na borda), pintados em cor vermelha na parte interior
Dimensões
11,0 cm diâmetro superior; 4,0 cm altura
Função
Cerâmica utilitária e/ou cerimonial para armazenagem e serviço e cerâmica específica para venda
Matéria-prima
Mineral > Antiplástico | Mineral > Argila
Técnica de confecção
Descritor comum
Número de peças
1
Responsável pela guarda
Instituição detentora
Povo
Autoidentificação
Língua
Estado de origem
Localização geográfica específica
Comunidade Indígena Santa Isabel/Ayari, TI Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira.
Pais de origem
Referência bibliográfica
Bitencourt, Francineia Fontes. A mulher no pensamento e na prática Wakoenai: estudo inter-geracional entre as comunidades e a cidade São Gabriel da Cachoeira. Em processo de defesa.
MOTTA, Dilza Fonseca da; OLIVEIRA, L. Tesauro de Cultura Material dos Indios do Brasil. Rio de Janeiro, Funai/Museu do Índio, 2006.
MUSEU DO ÍNDIO. Boletim do Museu do Índio Nº 8/1998.
RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
Disponibilidade do objeto
Qualificação
Matéria-prima utilizada na língua: "dekai" (argila)
O nome da pintura da borda é Baniwa: makalo/Nheengatu: panâpana, significa colar de borboleta. A pintura da borda representa um colar, e no fundo representa caranguejo (Baniwa: kati/Nheengatu: usá). A tinta da pintura usada é éwa. Essa peça é um prato (Baniwa: akeepa) utilizada para refeições.
O antiplástico é produzido com argila (dekai) e casca de árvore (káwa: caraipé). As mulheres pegam aturás (cestos) e caminham até a caatinga/terra firme com os homens, locais onde existe essa árvore. Os homens derrubam essa árvore com uma técnica, batendo no tronco, e as cascas vão se soltando. Então, as mulheres coletam e jogam nos cestos (aturás). Transportam até a aldeia e queimam longe das frutíferas para que a fumaça não derrube as frutas. As cascas são organizadas em forma de montanha/pirâmide para queima que não desmonta a montanha. Pega as cinza e coloca no pilão e depois peneira. Faz o mesmo processo até ficar só o pó peneirado. Após a queima as mulheres saem em busca da argila que pode ser encontrada nos portos ou nas cabeceiras de igarapés que estão localizados no meio da mata (aproximadamente 1h de caminhada) para coleta destas com a ajuda da família da ceramista. Transporta a argila coletada até a comunidade, e na manhã seguinte usa peneira e bacia para tirar qualquer pedra, areia, folha, galho e restar só a argila fina. Mistura a argila fina e o pó de caraipé na bacia aos pouquinhos e deixa descansar até o dia seguinte para modelar.
1) Modelar as peças pela técnica do acordelado.
2) Passa argila branca (cali) nas peças. Se a peça ficar mole deixa ao sol para endurecer um pouco e melhorar a consistência.
3) Depois de moldelar as peças, é feito o polimento com caroço de inajá, pedaço de cuia, dufhe (pedra lisa), thafi (caroço de corouai), para ficar liso e brilhante.
4) Pintura: o pincel usado para pintar os objetos é confeccionado com pequeno tufo de cabelo e argila. A tinta utilizada pra pintar é produzida com argila amarela (Ba: éwa), manicuera (sumo da mandioca) ou suco de limão ou água. O líquido é escolhido pelas mãos de cada ceramista. São feitos vários desenhos. A éwa é encontrada somente na cabeceira do rio Waraná, faz uma encomenda com as mulheres Hohodeni que moram nesse território.
5) Faz um moquém, girau de madeira, fogo de leve, para pegar nas peças e ficar resistente. Enquanto isso as mulheres cavam um buraco de aproximadamente 1m (depende da quantidade de peças) e outras estão tirando lenha. Faz camadas: fogo, lenha, peças, lenha e fogo. Termina quando só resta cinza da lenha, em torno de 1h, e as peças são retiradas com uma vara de madeira comprida (4m). Quando a cerâmica é branca deve ser retirada com vara de ferro.
6) Transporta para a casa de forno, onde é feita a farinha. Prepara um fogão de barro e coloca carvão, coloca a peça deitada no carvão quente.
7) Usa folhas de cubíu (kopirophé - ver foto) ou urucum (pilimapá) ou walamaphe (planta utilizada pelos pajé chamada de doença flechas do vento) ou itiri itíphidzo (suiú itá rawa - planta rabos de animais), folha de buiuiu (frutinhas silvestres) massera e passa nas cerâmicas.
Observação sobre o item
Os objetos desta coleção foram adquiridos no âmbito do projeto Prodocult Baniwa, subprojeto “Vida e Arte das Mulheres Baniwa, uma visão de dentro para fora”, coordenado pela pesquisadora Francineia Bitencourt Fontes e desenvolvido na Terra Indígena Alto Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas


