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Flecha rombuda bolota
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Metadados
Número do item
12.21.6
Tripticos
Categoria
Nome do item
Flecha rombuda bolota
Nome do item de acordo com o dicionário
Coleção
Ano de aquisição do objeto
Data de confecção do item
2012
Autoria
Índio Gregório Huhte Krahô
Nome étnico do item
"cacot"
Descrição
Flecha rombuda bolota, de cabeça chata, confeccionado com haste de taquara e ponta formada de palha de milho provida de sua extremidade distal rombóide, presa à haste com corda de buriti. Sem emplumação
Dimensões
138,0 cm de comprimento; 7,0 cm de largura (diâmetro)
Função
Objeto usado para caça às aves/ ritual
Descritor temático
Número de peças
1 peça
Responsável pela guarda
Instituição detentora
Povo
Autoidentificação
Língua
Estado de origem
Localização geográfica específica
Aldeia Cachoeira
Pais de origem
Referência bibliográfica
MOTTA, Dilza Fonseca da; OLIVEIRA, L. Tesauro de Cultura Material dos Indios do Brasil. Rio de Janeiro, Funai/Museu do Índio, 2006.
MUSEU DO ÍNDIO. Boletim do Museu do Índio Nº 8/1998.
RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
RICARDO, Carlos Alberto et al. (Ed.). Povos indígenas no Brasil: 1996/2000. Instituto Socioambiental, 2000.
Qualificação
As peças deste conjunto, é formado em número de 19, chegaram ao Museu do Índio com a Srª Pesquisadora Rosângela Pereira de Tugny no dia 22/11/2012. São objetos que fazem parte da cerimônia "amekim cacot" que acontece no período do final da seca, ainda governado pela metade sazonal "wacmeje". A comunidade é envolvida por várias atividades que compõe o ritual. Pela manhã, homens de todas as idades de ambos os grupos sazonais "wakmeje" e "catamje" estarão na estrada circular "krikaper" da aldeia convidando todos para o "cá" (pátio central). Enquanto o grupo de homens caçadores vão em busca da carne, as mulheres iniciam os preparativos do "paparuto" "kwrkupú" (alimento ritual Krahô), ralando a mandioca e o milho "pohy". Os homens que não foram participar da caçada, ficam na "witi" (casa ritual), localizada à leste onde irão preparar as petecas de palha de milho que serão acopladas às flechas dando-lhes esse formato de "cabeça chata" conhecidas entre os Krahô como "cacot".||Dois anciãos "mehkoré" escolhidos, ficam responsáveis pela busca das taquaras "kruw" maduras com as quais serão confeccionadas as flechas de cabeça chata "cacot". As taquaras podem ser encontradas tanto nas matas ciliares "irom" como no meio da chapada "hawên". Ao chegarem na aldeia, as mesmas serão secas ao sol, e no início da noite passam pelo fogo nas fogueiras feitas no centro do pátio da aldeia "cá" para que fiquem bem retas.||Ao anoitecer um coro de mulheres conduzido pelo cantador "inkre`r", iniciam as cantorias de maraka no pátio central "cá". Conforme evoluem as brincadeiras e danças dos jovens, a cantoria os acompanha até que chegue a noite e tenha início os movimentos do "cacot".||O "amekin cacot" possui cantos específicos e um jogo de desafio com as flechas de cabeça chata "cacot" que são entregues em feichos, pelos "hopor cate" (papel ritual), aos guerreiros de uma das metades sazonais "catamje" ou "wakmeje", cada um desses guerreiros munidos de seus "cacots" escolhem um adversário da outra metade, que deverá desviar o corpo das investidas do adversário. O embate que alterna continuamente o grupo de ataque dura até o dia amanhecer. Sob olhar atento da comunidade, os guerreiros "catamje" e "wakmeje" deverão apresentar seu desempenho na pontaria, força, capacidade e agilidade física que vai sendo moldada através de rituais de preparação dentro de um complexo sistema educacional Krahô de fabricação de corpos e pessoas
Notas gerais
As peças deste conjunto, é formado em número de 19, chegaram ao Museu do Índio com a Srª Pesquisadora Rosângela Pereira de Tugny no dia 22/11/2012. São objetos que fazem parte da cerimônia "amekim cacot" que acontece no período do final da seca, ainda governado pela metade sazonal "wacmeje". A comunidade é envolvida por várias atividades que compõe o ritual. Pela manhã, homens de todas as idades de ambos os grupos sazonais "wakmeje" e "catamje" estarão na estrada circular "krikaper" da aldeia convidando todos para o "cá" (pátio central). Enquanto o grupo de homens caçadores vão em busca da carne, as mulheres iniciam os preparativos do "paparuto" "kwrkupú" (alimento ritual Krahô), ralando a mandioca e o milho "pohy". Os homens que não foram participar da caçada, ficam na "witi" (casa ritual), localizada à leste onde irão preparar as petecas de palha de milho que serão acopladas às flechas dando-lhes esse formato de "cabeça chata" conhecidas entre os Krahô como "cacot".||Dois anciãos "mehkoré" escolhidos, ficam responsáveis pela busca das taquaras "kruw" maduras com as quais serão confeccionadas as flechas de cabeça chata "cacot". As taquaras podem ser encontradas tanto nas matas ciliares "irom" como no meio da chapada "hawên". Ao chegarem na aldeia, as mesmas serão secas ao sol, e no início da noite passam pelo fogo nas fogueiras feitas no centro do pátio da aldeia "cá" para que fiquem bem retas.||Ao anoitecer um coro de mulheres conduzido pelo cantador "inkre`r", iniciam as cantorias de maraka no pátio central "cá". Conforme evoluem as brincadeiras e danças dos jovens, a cantoria os acompanha até que chegue a noite e tenha início os movimentos do "cacot".||O "amekin cacot" possui cantos específicos e um jogo de desafio com as flechas de cabeça chata "cacot" que são entregues em feichos, pelos "hopor cate" (papel ritual), aos guerreiros de uma das metades sazonais "catamje" ou "wakmeje", cada um desses guerreiros munidos de seus "cacots" escolhem um adversário da outra metade, que deverá desviar o corpo das investidas do adversário. O embate que alterna continuamente o grupo de ataque dura até o dia amanhecer. Sob olhar atento da comunidade, os guerreiros "catamje" e "wakmeje" deverão apresentar seu desempenho na pontaria, força, capacidade e agilidade física que vai sendo moldada através de rituais de preparação dentro de um complexo sistema educacional Krahô de fabricação de corpos e pessoas
Observação sobre o item
Índio Gregório Huhte Krahô, é liderança na Aldeia Cachoeira, é aluno da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal de Goiás (UFG), professor-pesquisador Krahô